sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Nos Campos de Flanders


Uma pequena poesia a respeito da loucura da guerra:



"In Flanders Fields"


IN FLANDERS FIELDS the poppies blow

Between the crosses row on row,

That mark our place; and in the sky

The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago

We lived, felt dawn, saw sunset glow,

Loved and were loved, and now we lie

In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:

To you from failing hands we throw

The torch; be yours to hold it high.

If ye break faith with us who die

We shall not sleep, though poppies grow

In Flanders fields.


By: Lieutenant Colonel John McCrae, MD (1872-1918) Canadian Army

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Um Pequeno Passo a Mais...

Parece mentira, mas em breve estarei iniciando mais um novo capítulo de minha vida. Devo estar voltando aos bancos escolares.
Desde que me formei, em 1990, não voltei a estudar, no sentido formal da palavra, embora tenha feito alguns cursos e treinamentos para fins profissionais. Naquela época, o sonho de continuar os estudos foi interrompido pelos altos e baixos do meu primeiro emprego e por uma inesperada mudança de residência - e de estado.

Na época que me formei, meus pais achavam que um curso de graduação era suficiente e que uma pós não seria necessária. Língua estrangeira? Talvez, para viajar no exterior. Eu mesmo acreditava que a instrução prática era mais do que suficiente para contrabalançar a necessidade de um "canudo a mais".

Contudo, muitas coisas mudaram de lá para cá.

Sim, houve em 1993 um projeto de participar de um esquema de e-learning, no qual seria o autor de algumas apostilas de um curso a ser distribuido pela net, mas infelizmente o projeto não se concretizou.

O que era um sonho agora virou uma necessidade, ou melhor, um imperativo. Até mesmo para poder continuar no meu caminho profissional que trilhei - ou para iniciar um outro - terei que voltar à rotina do eterno estudante que sempre fui - e que, no fundo, talvez não deixei de ser. Concluir uma pós e quem sabe, aprimorar o meu domínio de inglês... São as metas iniciais. Quem viver, verá.

Deixo registrado nestas linhas que não sou contra a educação continuada e muito menos, ao MBA. Mas sim que acredito que este processo deva partir da própria vontade e do desejo da pessoa e não por mero modismo ou pelas veleidades do "deus" mercado - o mesmo que há décadas atrás dizia que você deveria se formar médico, advogado ou engenheiro. Sou e continuo pensando que o conhecimento adquirido não deve ser tratado como mera "commoditie" de negócios, e sim um patrimônio intelectual que, para ser válido, deve ser feito em prol de si mesmo e da comunidade. Sem o fim de servir ao próximo, todo conhecimento é vão.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Reflexão do Dia:

"Um excessivo deambular é indício de uma alma doente: eu, de fato, entendo que o primeiro sinal de um espírito bem formado consiste em ser capaz de parar e coabitar consigo mesmo. Toma, porém, atenção, não vá essa tua leitura de inúmeros autores e de volumes de toda a espécie arrastar algo de indecisão e de instabilidade. Importa que te fixes em determinados pensadores, que te nutras de suas idéias, se na verdade queres que alguma coisa permaneça definitivamente no teu espírito. Estar em todo o lado é o mesmo que não estar em parte alguma! Ora, a quem passa a vida em viagens acontece de ter muitos conhecimentos fortuitos, mas nenhum amigo verdadeiro; o mesmo se aplica logicamente àqueles que não se aplicam intimamente ao estudo de um pensador, mas sim perseguem todos de passagem e a correr. Um alimento que mal é ingerido é imediatamente devolvido, não aproveita e nem dá força ao corpo; [...] uma ferida não cicatriza quando lhe aplicam tentativamente vários remédios; uma planta nunca se robustece se continuamente a mudamos de lugar; nada, por fim, por mais útil que seja, preserva sua utilidade em contínua instabilidade. Demasiada abundância de livros é fonte de dispersão; assim como não poderás ler tudo o quanto possuis, contenta-te em possuir apenas o que possas ler. Dirás tu: 'mas sinto vontade de folhear ora este livro, ora aquele'. Provar muita coisa é sintoma de estômago embotado; quando são muitos e variados os pratos, só fazem mal em vez de alimentar. Lê, portanto, continuamente autores de confiança e quando sentires vontade de passar a outros, regressa aos primeiros. Reflete todos os dias em qualquer texto que te auxilie a encarar a inteligência, a morte ou qualquer outra calamidade; quando tiveres percorrido diversos textos, escolhe um passo que alimente a tua meditação durante o dia. É isso que faço: de muita coisa que li, retenho uma certa máxima."

(Sêneca - "Cartas a Lucílio")

Observação do autor do Blog: Note-se a imensa atualidade do comentário do filósofo Romano em face a obsessão "pós-moderna" em querer possuir opinião para tudo (mesmo que a pessoa não saiba nada) e a busca do conhecimento sem critério.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O poema no qual este blog foi inspirado.

Vou-me embora pra Pasárgada
(Manoel Bandeira)

"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada".
Reflexão do Dia:

"Passamos a maior parte da vida perseguindo objetivos que, no final acabam se revelando inalcalçáveis ou utópicos. Fama, poder, riqueza, status... tudo se esvai quando o último ato das nossas vidas é posto no palco... No final das contas, o que realmente importa não é o fato de termos conquistado coroas e impérios, acumulado tesouros e fortunas, realizado os Doze Trabalhos de Hércules ou mudado a História; mas sim o pouco de bem que conseguimos fazer e as amizades fiéis e sinceras que fizemos em nossa vida..."

terça-feira, 29 de maio de 2007

Reflexão: A Barca dos Tolos - Hieronymus Bosch

Em "A Barca dos Tolos", Bosch está imaginando que toda a humanidade está viajando através dos mares do tempo num navio, num pequeno barco que é uma alegoria da humanidade.
Tristemente, cada um dos viajantes é um louco.
Isto é como nós vivemos, diz Bosch - Nós comemos, bebemos, namoramos, trapaceamos, jogamos e perseguimos objetivos inalcançáveis... Enquanto isto, nosso barco navega sem rumo e nunca nós atingimos o porto.
Os tolos não são necessariamente ateus, desde que - entre eles - se encontram um monge e uma freira. Mas eles estão juntos com todos aqueles que vivem "em estupidez". Bosch ri, e é uma triste risada. Quantos de nós não saimos a navegar no desconforto maldito da tolice humana?
Excêntrico e genial como ele era, Bosch não somente sabia mover o coração como o escandalizava na sua total percepção. As coisas sinistras e monstruosas que ele trouxe à tona são as criaturas escondidas de nosso amor-próprio: Ele apenas externaliza a feíura contida nelas e é por este motivo que seus demônios possuem um efeito que vai além da mera curiosidade. Nós sentimos uma odiosa identificação com eles. A "Barca dos Tolos" não se refere a outras pessoas, e sim a respeito de nós mesmos.


(Artigo adaptado do site: http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/bosch/fools/)

sexta-feira, 18 de maio de 2007

VIDA E MORTE

Vida e morte...

Este começo de semana foi algo meio que conturbado...

Mal tinha voltado de viagem e recebo a notícia de que o avô de um amigo meu havia falecido.
E poucos dias depois recebo a notícia de que o sobrinho de uma pessoa de quem eu gostei bastante num passado recente acabou de nascer.
Tudo isto na mesma semana. E estes fatos acabaram por trazer a tona uma reflexão.

A dor de uma perda é imensa. Embora em termos filosóficos e religiosos a morte pode tentar ser compreendida ou sublimada, na prática ela dói. E muito. E como toda dor, ela somente pode ser curada com o tempo.

Neste mesmo mês, há 21 anos atrás, eu perdi o meu avô paterno e uma tia minha num espaço de duas semanas. E foi com muito custo que consegui concluir o 1o semestre da faculdade. Em 1991 foi a vez da minha avó paterna. Em março de 2000 minha outra avó se foi e um ano mais tarde foi a vez de uma tia minha.

Sei, por experiência própria, que somente as lágrimas e a saudade dos momentos idos podem curar um coração machucado pela perda. Não adianta tentar segurar, tentar bancar o "forte", que é pior... É preciso ao coração ter este período de luto.

Creio que as pessoas que se vão não desejam que os vivos se afoguem na dor, no sentimento de culpa e na importência diante do mistério da morte, muito pelo contrário. Os nossos entes queridos desejam acima de tudo que os que ficam sejam felizes. E que a melhor forma de honrar a memória dos que partiram é que eles possam levar uma vida feliz e digna de ser vivida.

Muitos podem discordar, mas creio que existe uma vida após a morte. E que um dia, cedo ou tarde, iremos reencontrar nossos familiares, parentes, amigos e pessoas que amamos. E que neste dia, toda dor desaparecerá e será substituída por um sentimento de gratidão e pela alegria do reencontro.

Mas nesta existência, existe também a Vida. Quem não se alegrou diante da chegada de um bebê ao mundo? Quem não se comoveu com a alegria da chegada de um novo membro da família?

A primeira lembrança da vida minha vida foi quando o meu irmão Sidney nasceu. E creio que não devo esquecer do fato nunca mais. Lembro-me que era um dia chuvoso e que eu e o meu irmão Ricardo estávamos brincando de dados (ou coisa parecida) no que é a sala de visitas da casa de meus pais. Foi quando os meus pais chegaram, trazendo o irmãozinho.

Também me recordo que o meu mano Fábio nasceu logo após de eu ter voltado do colégio, na hora do almoço. Na época estava fazendo a 5a série.
Também me recordo da chegada de muita gente que deixou de ser nenê faz muito tempo... Acho que estou ficando velho, mas é apenas impressão. Agora é a vez da sobrinhada: Christian, Rubens, Mariana, Larissa.... Quem será o(a) próximo(a)?

Bem, vou encerrando por aqui. Infelizmente não consegui encerrar este pensamento como queria. São 13:56 da Tarde. Mas a mensagem que quis passar é bem esta: A de que somente o fato de estarmos vivos aqui, a vida merece ser vivida.

domingo, 13 de maio de 2007

"RAIN"


"I don't feel a thing
and I stopped remembering
The days are just like moments turned to hours

Mother Used to say
if you want, you'll find a way
But mother never danced through fire showers

Walk in the rain, in the rain, in the rain
I walk in the rain, in the rain
Is it right or is it wrong
and is it here that I belong

I don't hear a sound
Silent faces in the ground
The quiet screams, but I refuse to listen

If there is a hell
I'm sure this is how it smells
Wish this were a dream, but no, it isn't

Walk in the rain, in the rain, in the rain
I walk in the rain, in the rain
Am I right or am I wrong
and is it here that I belong

Walk in the rain, in the rain, in the rain
I walk in the rain, in the rain
Why do I feel so alone
For some reason I think of home"

(Cowboy Bebop OST - "RAIN")

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Megumi

A primeira vez que a vi foi há muito tempo, num feriado do dia 15/11, na casa de um amigo de um primo meu. Ela tinha apenas 12 anos de idade, e, desde logo, encantei-me pela sua graça e pela vivacidade de espírito.

Como posso definir a beleza de uma pessoa? Com certeza, não pelos ridículos e estereotipados padrões atuais da "indústria" da moda. Não, certamente Megumi não se enquadraria no estereótipo da loira americana. A sua beleza era diferente.

Com o passar do tempo, fui frequentando a casa dela, e conhecendo um pouco de sua personalidade volátil, vivaz e algo elétrica. Afora os assuntos cotidianos e da escola, conversávamos muito sobre música e... piano (a gente estudava piano, ainda que em conservatórios diferentes).

Apesar de ser a irmã mais nova, nem por isto a sua vida era fácil. Lembro-me perfeitamente das homéricas brigas que ela tinha com os irmãos, especialmente com a irmã mais velha, Denise.

Não era a primeira vez que havia me apaixonado por alguém... Mas aos poucos passei a gostar dela. "Paixão" talvez não fosse o termo exato, mas sim, encantamento. Sim, de certa forma, ela era a irmãzinha que não pude ter.

O tempo foi passando e infelizmente fui perdendo contato, aos poucos. Os anos da faculdade vieram, e com eles, novas pessoas e novos desafios.
A última vez que vi Megumi foi na rodoviária, em alguma tarde de 1993-94. A gente conversou durante a viagem. Mas foi uma conversa morna, apenas para por os assuntos em dia. Logo depois saí de Assaí e fiquei quase 1 ano fora.
A última notícia que tive de Megumi foi quando voltei de Dourados, por intermédio de um amigo meu. Soube que ela tinha ido para o Japão, junto com a mãe. Seria uma notícia trivial se não fosse acompanhada de um comentário meio que maldoso - a de que se ele tivesse tido tempo, teria transado com ela. Não sei o que me faltou na hora para não dar um soco nele....

E não é que, quase vinte anos depois, reencontro Megumi de forma inesperada, na mesma rodoviária, nos mesmos bancos de ônibus? Mais do que um reencontro, houve um desabrochar de emoções há muito tempo esquecidas. Não me lembro quantos minutos nossos olhares se cruzaram - ao mesmo tempo sem dizer nada e dizendo tudo...
Ela continuava linda, com o mesmo olhar vivaz... Contudo os anos haviam imprimido um certo quê de maturidade em sua alma eternamente de criança.
E, mais uma vez, não tive a mesma iniciativa para dizer o que sentia. Creio que ela adivinhou tudo, já que se aproximou de mim para me beijar. Engraçado, nunca nos beijamos daquela forma quando estávamos perto... mas aquele instante pareceu-me uma eternidade...

Megumi, aonde estiver, seja sempre feliz!

domingo, 1 de abril de 2007

CÉSAR


RESENHA: CÉSAR, de Allan Massie.
Inaugurando a série de comentários e resenhas de nosso blog, apresentamos a nossa pequena análise sobre este livro, publicado pela Ediouro (www.ediouro.com.br) e que pode ser encontrado nas principais livrarias online.
Abrindo a coleção "Senhores de Roma", abarcando a vida - e morte - dos principais imperadores romanos, Alan Massie cria uma ficção envolvente e instigante a partir de personagens históricos reais, sobretudo pela figura impressionante de Júlio César (101-44 A.C.).
O principal diferencial deste livro, com as suas 242 páginas, é a de não pretender ser um romance histórico. Mas sim o de buscar apresentar as personalidades de Bruto, Marco Antônio, Casca, Cleópatra, Cícero e - sobretudo - o protagonista do romance, como figuras reais, tangíveis, numa roupagem contemporânea, cada qual, com a sua carga de qualidades e defeitos.
O próprio início do romance reflete esta tendência. A história toda é narrada pela ótica de Décimo Bruto - foragido e agora cativo - que rememora toda a sua trajetória a partir do momento em que conheceu Júlio César e de como a sua impressionante figura o dominou de tal maneira a ponto de se tornar o braço-direito do ditador.
Em traços vívidos, Bruto rememora o seu primeiro encontro com César (ironicamente, quando o mesmo veio seduzir a sua mãe), a sua rápida ascenção, suas principais campanhas militares, até o inevitável confronto com as decadentes instituições republicanas, culminando na Guerra Civil.
A figura do general e ditador romano é apresentada de forma ao mesmo tempo impressionante e prosaica: Estadista visão e almofadinha arrogante; chifrador de maridos e político sutil; gênio militar e dono de uma auto-confiança que beirava o descuido... Sob estes contrastes, Allan Massie tenta esculpir uma figura mais humanizada e nem por isto menos forte de um homem que chegou-se acreditar praticamente "divino".
A segunda parte do livro abre um parênteses, mostrando as circunstâncias do cativeiro de Bruto entre os gauleses e no seu relacionamento - nem um pouco dúbio - com Artixes, um príncipe daquele povo e que iria se tornar o depositário de suas memórias. A partir do diálogo nem sempre sutil entre Bruto e Artixes, o protagonista acaba por revelar as circunstâncias do gradual envolvimento de César com a princesa egípcia Cleópatra e na gradual mudança de pensamento do ditador romano rumo à uma mentalidade "imperial" absoluta, o que se revelaria fatal depois.
O clímax do romance ocorre quando Bruto descobre o conflito entre os seus ideais republicanos e o gradual despotismo de César - que não pretende mais renovar as instituições da República Romana, mas sim destrui-la - o que desencadeia o seu relutante, mas gradual envolvimento com as figuras que acabarão por ocasionar o complô resultando no assassinato de César e na posterior desintegração do frágil equilíbrio que mantinha a República.
Outras figuras são dignas de destaque na narrativa: O efeminado e intrigante Casca - general de César e futuramente um dos conspiradores - , a nada linear personalidade de Marco Antônio, o teorético orador Cícero, a nada recatada Cleópatra e o oportunismo pragmático do jovem Otávio Augusto. Quanto aos outros membros da conspiração - Cássio e Marco Bruto, primo de Décimo - são apresentados como figuras cinzentas e até medíocres, como em contraponto à onipresença de César.
Claro que devido às limitações de tamanho e do estilo empregado, alguns pontos acabam deixando a desejar: As campanhas da Gália e da própria Guerra Civil são tratadas de forma superficial, o Primeiro Triunvirato (a temporária aliança entre César, Pompeu e Crasso) é quase que ignorado e os acontecimentos que se sucederam à morte de César são narrados com uma rapidez atropelante.
Também o autor tomou várias liberdades com a certos pormenores históricos, como a captura de Décimo Bruto pelos gauleses, e de seus relacionamentos com a própria Cleópatra e com Otávio.
Contudo, pelo menos a maioria dos fatos que efetivamente ocorreram e que estão relatados no livro foram descritos de forma aceitável e mesmo a tentativa de usar um palavreado "moderno" ao modo de pensar dos romanos dá uma certa vivacidade à narrativa.
Resumindo, "César" é uma garantia de uma leitura envolvente por várias semanas. Mais do que uma biografia histórica, trata-se da ascenção, queda, morte e do nascimento do mito de um homem carismático, megalomaníaco, que vivia para o poder e pelo poder.
by Calerom, abril de 2007.

quinta-feira, 8 de março de 2007

If Only

If Only
by Rose Powell

If only I had listened
If only I had cared
If only I had known
If only I'd been warned

If only is the statement
Of regret, remorse, and sorrow,
If only is the lesson
That we learn to use tomorrow

Tomorrow we can listen
Tomorrow we can care
Tomorrow we will know
Tomorrow we've been warned

The lesson is intended
The lesson if its learnt
Is to bring about self knowledge
Of our lives and its events.

So come away and listen,
You can only be yourself
You can only choose from what you have
In lessons learnt before

So

Don't blame yourself for wanting
Don't blame yourself for hurt
The only blame that we can take
Is that we blame ourselves at all.


Encontrei este poema numa das listas de mensagens que participo. E decidi colocá-lo no blog, tanto pela sua beleza quanto pela mensagem. Espero que apreciem

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Exilados de Pasárgada

A proposta inicial deste site é do mesmo ser mais do que um mero diário ou um alimentador de egos (até mesmo porque o mundo está cheio de blogs do tipo "por favor, olhem para mim! Eu existo, mamãe!)...
Em princípio havia pensado nele como uma continuação do antigo "Usina de Idéias", uma das seções preferidas de um antigo fórum que frequentava. P
orém, mais do que literatura em geral, pretendo abordar outros assuntos como atualidades, cultura, música, resenhas de livros e artigos , entre outras coisas.
Como atualmente não posso me dar ao luxo de ter uma biblioteca física, o Exilados será uma versão da minha, virtual.
Ah sim, quanto a orientação "editorial" do blog, deixo avisado de que o "Exilados" jamais será um blog politicamente correto. Até mesmo porque o autor do mesmo nunca foi a favor do "politicamente correto".
Espero que os visitantes possam gostar.

A Morte de Todas as Ideologias - 1

IDEOLOGIA
Cazuza/Roberto Frejat

"Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver

O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem sou eu
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver"



O Século XX foi pródigo em idéias e mitos, pelos quais milhares de pessoas lutaram e morreram.
Começamos o final do milênio passado sob a égide das ideologias do Imperialismo e do Nacionalismo, para terminarmos supostamente com as bandeiras da Globalização e da idéia do fim das chamadas "Ideologias".
Bem, pelo menos é o que dizem os chamados "formadores de opinião".
Contudo... Até que ponto estes ideais foram espontâneos, legítimos ou válidos? E quantos outros foram resultados de manipulações e imposições por parte da mídia e das elites governantes?
Uma vez, li em algum lugar que todas as expectativas, esperanças, ilusões e anseios de uma geração eram resumidos nos mitos e nas ideologias da mesma. E somente quando estes mitos e ideais eram superados pelos fatos, marcava-se o fim de uma era.

Sei que uma discussão destas - ainda que mínima - levaria páginas e páginas.... Mas a título de esboço, deixo abaixo algumas das "ideologias" que nasceram, cresceram e morreram no século XX:

1 - Nacionalismo;
2 - Imperialismo;
3 - Socialismo/Comunismo;
4 - Nazismo/Fascismo;
5 - Welfare State;
6 - A crença de que a tecnologia, por si só, iria levar automaticamente ao progresso e bem-estar generalizados;
7 - A Democracia é o regime político mais perfeito e o Capitalismo, o melhor regime, e ambos podem ser implementados em qualquer país, independentemente do seu histórico e cultura;
8 - A liberdade irrestrita de expressão e de imprensa é garantia segura da manutenção da liberdade;
9 - Da existência de uma expressão estética e uma arte 100% livres de influências políticas e econômicas em qualquer época.
10 - Papai Noel existe. E os super-heróis existem para proteger os cidadãos de bem;
11 - De que é possível um ecumenismo cultural/religioso amplo e irrestrito sem que as partes envolvidas necessitem abrir mão de seus dogmas e tabus (alguém lembra-se do "revival" místico dos anos 60 e 70?)

Antes de mais nada, o autor destas linhas nasceu e viveu numa época repleta de ideologias, e teve o privilégio (?) de assistir à morte de muitas delas, como expectador anônimo.
Bem, são 3:22 Hrs da manhã e creio ser oportuno transferir a discussão para mais tarde... Afinal de contas, à toda Terça-Feira Gorda dos Carnavais - ironicamente, uma das poucas ideologias que resistem ao tempo, mais por pragmatismo que por ideal - deve-se seguir uma Quarta-Feira de Cinzas...