A primeira vez que a vi foi há muito tempo, num feriado do dia 15/11, na casa de um amigo de um primo meu. Ela tinha apenas 12 anos de idade, e, desde logo, encantei-me pela sua graça e pela vivacidade de espírito.
Como posso definir a beleza de uma pessoa? Com certeza, não pelos ridículos e estereotipados padrões atuais da "indústria" da moda. Não, certamente Megumi não se enquadraria no estereótipo da loira americana. A sua beleza era diferente.
Com o passar do tempo, fui frequentando a casa dela, e conhecendo um pouco de sua personalidade volátil, vivaz e algo elétrica. Afora os assuntos cotidianos e da escola, conversávamos muito sobre música e... piano (a gente estudava piano, ainda que em conservatórios diferentes).
Apesar de ser a irmã mais nova, nem por isto a sua vida era fácil. Lembro-me perfeitamente das homéricas brigas que ela tinha com os irmãos, especialmente com a irmã mais velha, Denise.
Não era a primeira vez que havia me apaixonado por alguém... Mas aos poucos passei a gostar dela. "Paixão" talvez não fosse o termo exato, mas sim, encantamento. Sim, de certa forma, ela era a irmãzinha que não pude ter.
O tempo foi passando e infelizmente fui perdendo contato, aos poucos. Os anos da faculdade vieram, e com eles, novas pessoas e novos desafios.
A última vez que vi Megumi foi na rodoviária, em alguma tarde de 1993-94. A gente conversou durante a viagem. Mas foi uma conversa morna, apenas para por os assuntos em dia. Logo depois saí de Assaí e fiquei quase 1 ano fora.
A última notícia que tive de Megumi foi quando voltei de Dourados, por intermédio de um amigo meu. Soube que ela tinha ido para o Japão, junto com a mãe. Seria uma notícia trivial se não fosse acompanhada de um comentário meio que maldoso - a de que se ele tivesse tido tempo, teria transado com ela. Não sei o que me faltou na hora para não dar um soco nele....
E não é que, quase vinte anos depois, reencontro Megumi de forma inesperada, na mesma rodoviária, nos mesmos bancos de ônibus? Mais do que um reencontro, houve um desabrochar de emoções há muito tempo esquecidas. Não me lembro quantos minutos nossos olhares se cruzaram - ao mesmo tempo sem dizer nada e dizendo tudo...
Ela continuava linda, com o mesmo olhar vivaz... Contudo os anos haviam imprimido um certo quê de maturidade em sua alma eternamente de criança.
E, mais uma vez, não tive a mesma iniciativa para dizer o que sentia. Creio que ela adivinhou tudo, já que se aproximou de mim para me beijar. Engraçado, nunca nos beijamos daquela forma quando estávamos perto... mas aquele instante pareceu-me uma eternidade...
Megumi, aonde estiver, seja sempre feliz!
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