Em "A Barca dos Tolos", Bosch está imaginando que toda a humanidade está viajando através dos mares do tempo num navio, num pequeno barco que é uma alegoria da humanidade.Tristemente, cada um dos viajantes é um louco.
Isto é como nós vivemos, diz Bosch - Nós comemos, bebemos, namoramos, trapaceamos, jogamos e perseguimos objetivos inalcançáveis... Enquanto isto, nosso barco navega sem rumo e nunca nós atingimos o porto.
Os tolos não são necessariamente ateus, desde que - entre eles - se encontram um monge e uma freira. Mas eles estão juntos com todos aqueles que vivem "em estupidez". Bosch ri, e é uma triste risada. Quantos de nós não saimos a navegar no desconforto maldito da tolice humana?
Excêntrico e genial como ele era, Bosch não somente sabia mover o coração como o escandalizava na sua total percepção. As coisas sinistras e monstruosas que ele trouxe à tona são as criaturas escondidas de nosso amor-próprio: Ele apenas externaliza a feíura contida nelas e é por este motivo que seus demônios possuem um efeito que vai além da mera curiosidade. Nós sentimos uma odiosa identificação com eles. A "Barca dos Tolos" não se refere a outras pessoas, e sim a respeito de nós mesmos.
(Artigo adaptado do site: http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/bosch/fools/)
Um comentário:
Belo artigo, Marcelo! Não conheço a obra de Bosch, mas fiquei bastante curiosa. Vou pesquisar sobre ele.
Abração!
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