sexta-feira, 13 de julho de 2007

Um Pequeno Passo a Mais...

Parece mentira, mas em breve estarei iniciando mais um novo capítulo de minha vida. Devo estar voltando aos bancos escolares.
Desde que me formei, em 1990, não voltei a estudar, no sentido formal da palavra, embora tenha feito alguns cursos e treinamentos para fins profissionais. Naquela época, o sonho de continuar os estudos foi interrompido pelos altos e baixos do meu primeiro emprego e por uma inesperada mudança de residência - e de estado.

Na época que me formei, meus pais achavam que um curso de graduação era suficiente e que uma pós não seria necessária. Língua estrangeira? Talvez, para viajar no exterior. Eu mesmo acreditava que a instrução prática era mais do que suficiente para contrabalançar a necessidade de um "canudo a mais".

Contudo, muitas coisas mudaram de lá para cá.

Sim, houve em 1993 um projeto de participar de um esquema de e-learning, no qual seria o autor de algumas apostilas de um curso a ser distribuido pela net, mas infelizmente o projeto não se concretizou.

O que era um sonho agora virou uma necessidade, ou melhor, um imperativo. Até mesmo para poder continuar no meu caminho profissional que trilhei - ou para iniciar um outro - terei que voltar à rotina do eterno estudante que sempre fui - e que, no fundo, talvez não deixei de ser. Concluir uma pós e quem sabe, aprimorar o meu domínio de inglês... São as metas iniciais. Quem viver, verá.

Deixo registrado nestas linhas que não sou contra a educação continuada e muito menos, ao MBA. Mas sim que acredito que este processo deva partir da própria vontade e do desejo da pessoa e não por mero modismo ou pelas veleidades do "deus" mercado - o mesmo que há décadas atrás dizia que você deveria se formar médico, advogado ou engenheiro. Sou e continuo pensando que o conhecimento adquirido não deve ser tratado como mera "commoditie" de negócios, e sim um patrimônio intelectual que, para ser válido, deve ser feito em prol de si mesmo e da comunidade. Sem o fim de servir ao próximo, todo conhecimento é vão.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Reflexão do Dia:

"Um excessivo deambular é indício de uma alma doente: eu, de fato, entendo que o primeiro sinal de um espírito bem formado consiste em ser capaz de parar e coabitar consigo mesmo. Toma, porém, atenção, não vá essa tua leitura de inúmeros autores e de volumes de toda a espécie arrastar algo de indecisão e de instabilidade. Importa que te fixes em determinados pensadores, que te nutras de suas idéias, se na verdade queres que alguma coisa permaneça definitivamente no teu espírito. Estar em todo o lado é o mesmo que não estar em parte alguma! Ora, a quem passa a vida em viagens acontece de ter muitos conhecimentos fortuitos, mas nenhum amigo verdadeiro; o mesmo se aplica logicamente àqueles que não se aplicam intimamente ao estudo de um pensador, mas sim perseguem todos de passagem e a correr. Um alimento que mal é ingerido é imediatamente devolvido, não aproveita e nem dá força ao corpo; [...] uma ferida não cicatriza quando lhe aplicam tentativamente vários remédios; uma planta nunca se robustece se continuamente a mudamos de lugar; nada, por fim, por mais útil que seja, preserva sua utilidade em contínua instabilidade. Demasiada abundância de livros é fonte de dispersão; assim como não poderás ler tudo o quanto possuis, contenta-te em possuir apenas o que possas ler. Dirás tu: 'mas sinto vontade de folhear ora este livro, ora aquele'. Provar muita coisa é sintoma de estômago embotado; quando são muitos e variados os pratos, só fazem mal em vez de alimentar. Lê, portanto, continuamente autores de confiança e quando sentires vontade de passar a outros, regressa aos primeiros. Reflete todos os dias em qualquer texto que te auxilie a encarar a inteligência, a morte ou qualquer outra calamidade; quando tiveres percorrido diversos textos, escolhe um passo que alimente a tua meditação durante o dia. É isso que faço: de muita coisa que li, retenho uma certa máxima."

(Sêneca - "Cartas a Lucílio")

Observação do autor do Blog: Note-se a imensa atualidade do comentário do filósofo Romano em face a obsessão "pós-moderna" em querer possuir opinião para tudo (mesmo que a pessoa não saiba nada) e a busca do conhecimento sem critério.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O poema no qual este blog foi inspirado.

Vou-me embora pra Pasárgada
(Manoel Bandeira)

"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada".
Reflexão do Dia:

"Passamos a maior parte da vida perseguindo objetivos que, no final acabam se revelando inalcalçáveis ou utópicos. Fama, poder, riqueza, status... tudo se esvai quando o último ato das nossas vidas é posto no palco... No final das contas, o que realmente importa não é o fato de termos conquistado coroas e impérios, acumulado tesouros e fortunas, realizado os Doze Trabalhos de Hércules ou mudado a História; mas sim o pouco de bem que conseguimos fazer e as amizades fiéis e sinceras que fizemos em nossa vida..."