Pode não ser a primeira vez que no início de um novo ano eu olhe para trás e faça um balanço mental de todas as coisas que aconteceram - boas ou más. Mas provavelmente deve ser a primeira vez em que passo as minhas impressões no papel.
Lembro-me de ter comemorado a passagem do ano de 2007 para 2008 na casa do meu irmão Ricardo, ao lado dele, da minha cunhada e dos meus sobrinhos. Assistimos a queima de fogos na área externa da casa dele antes de irmos dormir (gandaiar no 1o dia do ano nunca foi tradição na minha família). Não cheguei a fazer nenhuma simpatia ou pedido especial, exceto o de comer as 12 uvas. Nenhum pedido em especial...
Exceto o de fazer com que o ano que vinha fosse diferente em matérias de emprego. Já estava sem serviço há 2 anos e meio e os currículos não estavam obtendo respostas.
E também estava na hora de vislumbrar algo mais além da interminável maratona de concursos aonde defrontava-me com concorrências de 350 candidatos por vaga ou mais, sem falar de certos episódios nebulosos, como o concurso da Câmara de Vereadores de Londrina (onde, ano passado um dos candidatos que passou e não foi chamado chegou a recorrer na justiça pelo seu direito, além dos rumores de que o presidente da Câmara chegou a embolsar - no bolso dele - a arrecadação do concurso em si) ou do Auditor Fiscal de Londrina (onde estranhamente nenhum candidato local chegou a marcar os pontos mínimos para passar numa prova que foi considerada extremamente difícil, favorecendo candidatos calejados de outros estados que estavam estudando para concursos similares).
Comecemos então com a Retrospectiva:
PROFISSIONAL/CONCURSOS: A grande surpresa do ano foi o fato da prefeitura da minha cidade natal, Assaí, ter aberto um concurso para vários cargos em meados de março. Estava em Londrina, quando fui informado pela minha máe, e tive que correr contra o tempo para fazer a inscrição. O prazo era sacanamente reduzidíssimo e as filas eram enormes. Sem mencionar o fato de que a taxa era algo "salgada" ($$) para um concurso que exigia apenas nível médio.
Particularmente não estava muito entusiasmado. Passar no mesmo implicaria em permanecer sob a tutela de minha família em Assaí e praticamente acabaria com minhas chances de voltar a morar por conta. Seria uma espécie de gaiola de ouro. O salário não era especialmente atrativo (840 reais). Só que apesar dos pesares, era uma chance. As matérias eram relativamente fáceis, não exigia muito conhecimento específico (nada além daquilo que a gente aprende no 2o grau) e a concorrência seria quase que limitada ao pessoal da cidade.
A prova foi nos meados de Abril. E, pasmem, foi um pouco mais desafiante do que imaginei. Muito inteligentemente elaborada (parabéns ao grupo que organizou o teste!), o texto de português era baseado num artigo do conhecido cientista político Gaudêncio Torquato, que analisava a crise da Classe Média tradicional nesta "Nova Era" da Globalização, e do surgimento de uma "nova" Classe Média , baseada nas classes D e E, com o amparo da demagogia política.
Obviamente a parte de interpretação exigia algo mais do que a simples decoreba do ensino convencional.
A parte de matemática era simples (nada além da complexidade de uma equação de 1o grau), só que era bastante trabalhosa e o enunciado de algumas questões dependia dos resultados das anteriores. Ou seja, quem errasse uma, errava todas (he,he,he).
E a indefectível seção de conhecimentos informáticos, apesar de curta, foi muito bem bolada, abrangendo temas como segurança de redes, uso de anti spywares e internet, algo um pouco mais inteligente do que o be-a-bá que aprendemos nos nossos cursos de informática.
Isto ajudou a eliminar boa parte da concorrência (que era de 30 por 1, mais do que vários cursos tradicionais da Universidade Estadual de Londrina).
Para encurtar a história, após algumas semanas de expectativa agoniante, o resultado foi divulgado e fiquei em 5o lugar na classificação geral. Havia atingido o meu "custo de oportunidade" (isto é, cheguei a conclusão de que posso conseguir qualquer emprego que exija nível médio de escolaridade sem fazer muita força e sem queimar meus neurônios). Não uma vitória espetacular, mas isto ajudou um pouco na auto-estima, após ter perdido por uma margem estreita em provas anteriores como o da Sanepar, UTFPF-Apucarana e TJ-PR.
Apesar de tudo, o impasse nas semanas que se seguiram à prova e o resultado final, bem como uma certa euforia prematura atrapalharam minha preparação para o concurso da Caixa Econômica, decididamente algo mais relevante que o da prefeitura. E também ficou claro para mim que, pelo menos para a minha máe, era mais importante ter passado em Assaí do que se arriscar a um resultado incerto na CEF, com direito a ficar peregrinando de uma cidade para outra (possuo um primo meu que passou na CEF faz alguns anos atrás e que tem feito uma verdadeira romaria, de cidade em cidade, por causa das contínuas transferências).
Comecei a estudar relativamente tarde para o da CEF. E apesar da base adquirida no concurso do BB, que fiz em 2007, a coisa parecia incerta. O fato de ter perdido a chance de pegar 2 cursinhos seguidos era algo fatídico. Só que o que selou o resultado foi que no dia, apesar de ter saído com 1 hora e meia de antecedência, perdi o horário de chegada no local do concurso por conta do intenso congestionamento das ruas de Londrina por causa das caravanas do pessoal que veio de fora, o atraso indesculpável do motorista de ônibus ao ponto (40 minutos!) e o atraso ainda maior num trajeto que era para ter sido feito em 20 minutos e que acabou com mais de quarenta!
O segundo semestre não parecia algo promissor para mim. Aliás, o calendário dos concursos em 2008 foi feito em função do calendário eleitoral (maldito país que gosta de fazer várias eleições seguidas!). E após julho, nào houve editais relevantes. Os poucos que apareciam eram para cargos fora da minha área profissional e/ou com provas ministradas unicamente em Brasília/RJ/SP. O único concurso realmente relevante que surgiu era para Agente Penitenciário, mas sinceramente não me vislumbrava um futuro arriscando a minha pele num presídio cheio de criminosos e suscetível a rebeliões, controle do PCC e tal (e muito menos minha família).
Somente após as eleições (de novo, maldito o país cujo calendário econômico e profissional gira em torno duma maldita eleição que só serve para eleger estas raposas políticas) é que começaram a surgir novas oportunidades: Min. do Trabalho, Sanepar e rumores sobre um novo concurso da Copel. Todos para o final deste ano e início do ano que vem.
Quando tudo indicava que uma nova chance só surgiria para 2009, eis que o inesperado acontece (continua).
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